Ações sustentáveis auxiliam a driblar a crise hídrica e as adversidades climáticas

Produtores de algodão do Estado do Mato Grosso sentiram os impactos das mudanças climáticas.

Ações sustentáveis auxiliam a driblar a crise hídrica e as adversidades climáticas

Usar uma roupa produzida a partir de algodão é algo comum no dia a dia. Mas poucas pessoas tem conhecimento sobre o caminho que a fibra percorreu até se transformar em uma peça de vestuário. O algodão está entre as mais importantes culturas de fibras do mundo. Todos os anos quase 35 milhões de hectares são plantados em todo o planeta. Como esse negócio pode ser mais lucrativo e durar bastante tempo? As respostas estão nas práticas sustentáveis e no investimento em tecnologia, que garantem o futuro da atividade agrícola.

Quando falamos em mudanças climáticas, não devemos nos basear apenas em uma safra. Mesmo assim, a mudança do padrão climático tem deixado os produtores apreensivos. No caso do algodão, o estado do Mato Grosso sentiu o impacto no último ano. Para amenizar os prejuízos, a tecnologia e a sustentabilidade tem garantido a produtividade e a proteção do solo.

De acordo com o produtor Paulo Aguiar, na maioria das vezes, as chuvas começam no período normal no estado. “Quando há um corte de chuva no final do período chuvoso, entre abril e maio, algumas vezes a gente sempre teve a questão logo em abril, com as chuvas prolongadas, às vezes um pouquinho mais, até maio. Mas isso é recorrente, eu tenho histórico das mesmas propriedades desde que eu comecei a plantar em Mato Grosso desde 1984 essas coisas são cíclicas”, apontou. “Nós sempre estamos procurando investir em biotecnologias em genética para conseguir materiais que tem uma certa resistência a pragas e também bioinseticidas para que a gente possa aplicar sem nenhum dano ao meio ambiente ou algum risco. Rotação de culturas, plantio direto, sem resolver muito o solo são tecnologias que nós implementamos no passado e mantemos até hoje. Isso nos traz uma certa garantia da perpetuidade da agricultura para os milênios. Com relação à sustentabilidade todos os produtores hoje são conscientes que tem que ter a sua reserva legal, que tem que proteger as suas nascentes, que tem que proteger as matas ciliares das beira dos rios para ter uma água de boa qualidade dentro da nossa propriedade e fazemos continuamente, além do cuidado social”, apontou.

A previsibilidade climática garante o planejamento agrícola. Mas no último ano, a cultura do algodão no estado do Mato Grosso contou com uma distribuição atípica de chuva. De acordo com Liv Soares Severino, Pesquisador da Embrapa Algodão, quando falamos em mudanças climáticas globais, o que os deixa muito assustados, é a mudança nesses padrões, e mudanças erráticas. “Se mudar para algo previsível, nós conseguimos nos adaptar. O que não conseguimos lidar muito bem é com a imprevisibilidade, como ocorreu no ano passado”, disse.

Severino conta que na ocasião, na safra anterior, que estão acabando de colher agora, a chuva demorou muito a começar e todos estavam esperando que ela começasse em determinado período e ela não veio. “Então os produtores tiveram que atrasar o plantio da soja e, em consequência, o do algodão, que foi plantado bem fora da época do plantio da janela ideal e isso prejudicou bastante o resultado”, afirmou.

O pesquisador explicou como os produtores podem realizar um manejo dentro de práticas sustentáveis. “É uma coisa bem básica. Cuidar bem dos solos. Se nós estivermos dentro de um cenário de imprevisibilidade, como é o que nos preocupa com as mudanças climáticas, então nós precisamos conseguir aproveitar muito melhor as chuvas se elas ficarem erráticas. E o principal que a gente pode fazer para isso é ter um solo sadio, com alto teor de matéria orgânica, solos pouco degradados, com boa fertilidade. Enfim, bom manejo de solo. Nada diferente daquilo que nós já sabemos que precisa ser feito. Apenas aplicar bem a cobertura de solo, a rotação de cultura, com boa fertilidade. Isso nos ajuda muito a lidar com os problemas advindos das mudanças climáticas”, destacou o pesquisador da Embrapa Algodão, Liv Soares Severino.

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