Bioeconomia na Amazônia pode beneficiar 750 mil famílias

Estudos conduzidos por especialistas destacam a importância da bioeconomia inclusiva na Amazônia brasileira, evidenciando como a valorização dos conhecimentos tradicionais e a aplicação de tecnologias sustentáveis podem melhorar a qualidade de vida de comunidades locais

Dados do IBGE, Incra e Embrapa revelaram que ações voltadas à bioeconomia inclusiva têm o poder de impactar positivamente a vida de centenas de milhares de famílias na Amazônia.

O desenvolvimento social e ambiental da região encontra-se em suas mãos, por meio de estratégias de valorização da biodiversidade e dos saberes locais.

“Um entendimento do que é, e do que pode se tornar, a bioeconomia no contexto amazônico é o ponto de partida para a atuação de instituições de ciência e tecnologia nos ecossistemas de inovação da região. Essa foi a premissa do trabalho,” conta Daniela Lopes, coordenadora do estudo da Embrapa, o qual contou ainda com consultas a outros profissionais da Empresa e traz referências a documentos externos.

O que é bioeconomia na Amazônia?

Uma economia sustentável, focada no uso de recursos da biodiversidade, considerando conhecimentos tradicionais e aliada aos avanços tecnológicos em processos químicos, industriais e de engenharia genética.

Tem como objetivo a valorização das práticas regenerativas na região amazônica de modo a assegurar a inclusão social, a qualidade de vida, além da conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

O que é sociobiodiversidade?

O conceito expressa a inter-relação entre a diversidade biológica e a de sistemas socioculturais.

Os produtos da sociobiodiversidade são bens e serviços (produtos finais, matérias-primas ou benefícios) gerados a partir de recursos da biodiversidade, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse dos povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares, que promovam a manutenção e valorização de suas práticas e saberes, e assegurem os direitos decorrentes, gerando renda e contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida e do ambiente em que vivem.

Estratégias Diversificadas para um Bioma Heterogêneo

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Foto: Embrapa

O estudo “Visões sobre bioeconomia na Amazônia: Oportunidades e desafios para a atuação da Embrapa” enfatiza a heterogeneidade do bioma amazônico, demandando abordagens diferenciadas na busca por uma bioeconomia sustentável.

O conhecimento tradicional aliado à ciência é a base para impulsionar ecossistemas de inovação na região.

Reverter o Paradoxo Amazônico

A riqueza natural da Amazônia contrasta com a extrema pobreza de suas populações. A bioeconomia surge como solução para reverter esse cenário paradoxal.

O estudo da Embrapa ressalta que investir em tecnologias sustentáveis é essencial para transformar recursos florestais em desenvolvimento econômico e social.

Papel Vital da Sociobiodiversidade

A diretora-executiva de Negócios da Embrapa, Ana Euler, enfatiza que a bioeconomia da sociobiodiversidade deve nortear o desenvolvimento da região. A agregação de valor aos produtos florestais beneficia povos indígenas, comunidades tradicionais e produtores rurais.

A integração entre conhecimentos ancestrais e científicos é fundamental para preservar a floresta e promover bem-estar humano.

A Embrapa na Amazônia

Embrapa, Amazônia

Foto: Embrapa

Os autores contam que o desenvolvimento de ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação em prol da bioeconomia na Amazônia é uma prioridade da Embrapa desde 2014. Em 2023, a Empresa deu início a um projeto para diagnóstico e elaboração de um plano estratégico a fim de fortalecer essa nova economia na região.

Para isso, a ideia é desenvolver soluções tecnológicas voltadas às cadeias da sociobiodiversidade, que priorizem a sustentabilidade e a inclusão das populações e comunidades locais.

Dessa forma, a Empresa conta com investimentos da ordem de 20,5 milhões de reais, nove centros de pesquisa na Amazônia Legal, além de outros que apoiam o bioma desenvolvendo soluções em suas respectivas áreas. São mais de 300 pesquisadores e 140 projetos de pesquisa em andamento na região.

Um dos objetivos é ampliar os esforços em rede com instituições no Brasil e exterior para captar recursos e fortalecer a presença do País nos fóruns internacionais de biodiversidade e clima. Além disso, a Embrapa pretende reforçar a sua participação na elaboração e articulação de políticas públicas que estimulem a produção sustentável na Amazônia.

Principais soluções para o bioma

O ecossistema de inovação da Embrapa na Amazônia Legal tem gerado soluções tecnológicas e sociais para os setores agropecuário, florestal e agroindustrial com foco, entre outros temas, em sistemas que integram lavoura e pecuária (ILP) e lavoura-pecuária e floresta (ILPF), manejo florestal sustentável (produtos madeireiros e não madeireiros), sistemas agroflorestais, sistemas de produção de pecuária de carne e leite, aquicultura, fruticultura e grãos.

Dos 34 portfólios (agrupamentos) de projetos dedicados a temas estratégicos para a agricultura brasileira, um é voltado exclusivamente à Amazônia, com o objetivo de apoiar políticas públicas integradas para o desenvolvimento competitivo dessa região, com foco em bioeconomia.

O portfólio Amazônia conta com oito desafios para inovação alinhados a 28 políticas públicas. Entre esses desafios, três se destacam em relação à bioeconomia.

Sucesso na Prática: Exemplos Concretos

Resultados de sucesso surgem da união de conhecimentos tradicionais e científicos, como a utilização de microrganismos do guaranazeiro e do óleo da pimenta-de-macaco para agricultura e controle de pragas.

Essas práticas já impactam hectares e milhões de reais na economia.

Potencial Econômico da Sociobiodiversidade

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Foto: Pixabay

Um estudo da TNC Brasil revela que produtos da sociobiodiversidade geraram renda significativa no Pará, criando empregos em estruturas familiares.

A bioeconomia emerge como caminho para modelos sustentáveis que beneficiem as comunidades amazônicas.

Caminho a Seguir

Especialistas da Embrapa destacam a importância da agregação de valor às cadeias produtivas da sociobiodiversidade e o desenvolvimento de bioprodutos e bioativos a partir da biodiversidade amazônica.

Essas pautas guiarão os esforços da pesquisa científica na região, promovendo avanços e prosperidade.