Blended Finance pode ativar o ecossistema de negócios de impacto na Amazônia e preservar a floresta

Este foi um dos temas em debate no 2º Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Fiinsa), nos dias 29 a 30 de novembro, em Manaus (AM).

Blended Finance pode ativar o ecossistema de negócios de impacto na Amazônia e preservar a floresta

São Paulo, 01 de dezembro de 2022 – A Amazônia tem um enorme potencial relacionado à conservação e ao uso sustentável de recursos florestais e da biodiversidade. Porém, a bioeconomia, modelo de produção baseado no uso de recursos biológicos, representa somente 8% do produto interno bruto (PIB) da região. É o que mostra o estudo “Estado do Financiamento para a Bioeconomia no Brasil: Estado Atual e Desafios Amazônia”, desenvolvido pela Fundação CERTI, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com o Ministério da Economia (ME), por meio da Iniciativa para o Financiamento da Biodiversidade (BIOFIN Brasil).

De acordo com o estudo, lançado em 2021, um dos desafios para destravar as cadeias vinculadas à bioeconomia é superar as carências estruturais e amadurecer os negócios. Estas deficiências transitam entre a gestão pouco estruturada nos empreendimentos, falta de infraestrutura, serviços informais e o baixo acesso a tecnologias de produção.

Para romper com o modelo de desvalorização da floresta e ativar o ecossistema de negócios de impacto socioambiental, especialistas acreditam que é necessário criar formas de financiamento da bioeconomia, visando a geração de renda no campo e a competitividade econômica com a manutenção da floresta em pé, frente a outros usos convencionais do solo.

Para se ter uma ideia, apenas de 1% a 3% do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) têm sido utilizados para promover cadeias de valor ligadas à bioeconomia da floresta. Seria preciso fomentar novos tipos de investidores interessados em alocar capital na geração de impacto positivo.

Este foi um dos temas em debate por empreendedores, investidores, financiadores, academia, organizações da sociedade civil no 2º Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Fiinsa), realizado nos dias 29 a 30 de novembro, em Manaus (AM).

De acordo com o idealizador do evento, Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam e CEO da AMAZ aceleradora de impacto, essa é uma agenda importante não só para a Amazônia, mas para o Brasil, à medida que o País assumiu compromissos de redução de emissões fortes na COP27, realizada este mês no Egito. “Não é possível atingir os compromissos se não construirmos essa nova economia que a região precisa, para promover prosperidade e desenvolvimento com a conservação de florestas e a redução de desigualdades. O Festival pode ser considerado um pontapé inicial, um centro de ebulição intelectual e prática em torno das soluções que nós precisamos construir para trilhar esse caminho,” avalia.

No dia 29, a diretora de Programas e Projetos, Andrea Azevedo, participou do painel Blended Finance: a Importância do Financiamento Híbrido para Fomentar Negócios Sustentáveis ao lado de representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e da Meraki Impact.

A pauta foi o blended finance, ou financiamento híbrido, modelo que combina capital filantrópico ou investimento paciente para atrair outros tipos de recursos, como os investimentos de impacto.

De acordo com Andrea Azevedo, diretora do Fundo JBS pela Amazônia, o financiamento híbrido combina o conhecimento do investidor com o espírito filantrópico. “Este formato consegue amenizar o risco do investidor tradicional em negócios de impacto, que costumam dar retornos de longo prazo e têm desafios sociais e ambientais específicos para trabalhar. Se bem combinados, os recursos podem ter um efeito catalizador na economia da floresta.  É neste formato que o fundo vem se reestruturando. A meta é atrair fontes de diferentes recursos para escalar impactos”, comenta.

Projetos

A diretora também vai expor os cases de dois projetos financiados pelo Fundo JBS pela Amazônia. Um deles é o “Destravando Crédito para Bioeconomia da Floresta”, criado e implementado pelo Instituto Conexsus. A iniciativa fomenta cadeias da floresta, como a da castanha, açaí, pescado, madeira, óleos e resinas, por meio da facilitação de acesso ao crédito rural do Pronaf, muitas vezes considerados de difícil acesso por pequenos produtores. O valor de investimento do Fundo JBS pela Amazônia é de R$ 1,53 milhão.

A iniciativa prevê a contratação e treinamento de ativadores locais para viabilizar ao menos 2.500 contratos de crédito do (Pronaf) em um período de dois anos. Será desenvolvido também uma assessoria periódica em gestão para beneficiários finais da iniciativa, com apoio de acesso ao crédito do Pronaf com orientação produtiva para 15 cooperativas, fomentando as cadeias de bioeconomia.

Em maio deste ano, foi realizado o primeiro encontro presencial com toda a equipe de ativadores de crédito em Belém (PA). “Foi um divisor de águas. Os ativadores se apropriaram mais das ferramentas, do uso da tecnologia disponível para o projeto e puderam acessar com mais qualidade os agricultores para a tomada de crédito. Houve também um mutirão de CAR passo fundamental para acessar linhas de crédito de maior valor. Estas ações ajudaram a destravar mais de R$ 1,8 milhão desde o início do projeto. Grande parte destes agricultores não havia acessado crédito nenhuma vez no passado”, afirma Lucas Scarascia, gerente de Projetos do Fundo JBS pela Amazônia.

De acordo com Fernando Moretti, coordenador da Rede de Ativadores de Crédito Socioambiental do Instituto Conexsus, é importante levar estes créditos a famílias de ribeirinhos e agroextrativistas e povos tradicionais, fundamentais para a conservação da floresta. “O crédito ajuda as famílias a aumentar a área manejada, a comprar equipamentos e melhorar a produção de modo sustentável, o que impacta no incremento de renda familiar de até 40%”, explica.

O outro projeto voltado para a bioeconomia é o da Amaz – Aceleradora de Impacto, executado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), com aportes de R$ 2,6 milhões provenientes do Fundo JBS pela Amazônia. Ao longo de dez anos, será criado um fundo de investimento blended finance para acelerar 30 startups para alavancagem de negócios da floresta, com estímulo ao ambiente empreendedor e apoio de investidores. A meta é gerar renda para 10 mil famílias.

Inscrições

O Fiinsa é promovido pelo Idesam , AMAZ Aceleradora de Impacto l e Impact HUB Manaus e tem como um dos seus patrocinadores o Fundo JBS pela Amazônia. Para participar, é necessário fazer a inscrição antecipada pelo site: https://fiinsa.org.br/

Sobre o Fundo JBS pela Amazônia

Criado em 2020, o Fundo JBS pela Amazônia (FJBSA) é uma organização sem fins lucrativos que apoia e financia iniciativas que promovem a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia. Seus eixos de atuação são Ciência e Tecnologia, Cadeias Produtivas e Bioeconomia. Juntos, norteiam a seleção e o apoio a negócios inclusivos, rentáveis, de impacto, com modelos viáveis de alto valor agregado. O FJBSA financia, atualmente, 18 projetos que tem como objetivo beneficiar cerca de 16 mil famílias e 51 organizações. A área conservada direta e indiretamente é de quase 10 milhões de hectares. A instituição é aberta a contribuições e parcerias de associações da iniciativa privada, terceiro setor e grupos multistakeholders. A JBS se compromete a igualar a contribuição feita a cada doação até atingir R$ 500 milhões. A meta é levar os recursos do Fundo a R$1 bilhão até 2030. www.fundojbsamazonia.org

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