Embrapa analisa estabilidade do carbono no solo através de fotos

A técnica não precisa de extrações químicas dos solos. É necessário apenas preparar uma pastilha e mensurar os dados.

Embrapa analisa estabilidade do carbono no solo através de fotos

Pesquisadores da Embrapa em São Carlos (SP) realizaram uma pesquisa para detectar o carbono no solo. Os cientistas concluíram que a Espectroscopia de Fluorescência Induzida por Laser (LIFS, na sigla em inglês) – uma técnica da fotônica -, aplicada em sistemas de produção como a integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF), é capaz de avaliar com precisão, de forma limpa e rápida, o grau de estabilidade química do carbono retido no solo. 

Para o pesquisador Alberto Bernardi, a pesquisa é baseada em um laser, que através de  fluorescência produzida por ele, mede a característica físico-química das amostras do solo. “O fato de usar uma técnica que não precisa fazer a extração química, simplificou, barateou e facilitou o uso de em uma condição de próxima ao que acontece no campo”, disse.

Pesquisadores da Embrapa que realizaram a pesquisa

No estudo, a técnica permitiu detectar que o índice de humificação (formação de húmus) da matéria orgânica do solo (MOS) é 36% maior em camadas mais profundas do solo no sistema ILPF do que em áreas de floresta nativa, referências consideradas para a pesquisa. Tanto o estoque de MOS quanto a biomassa das árvores aumentam sob esse sistema integrado e sequestram mais carbono, o que torna o modelo de cultivo, com diferentes combinações, uma prática sustentável e uma forte aliada na descarbonização da agricultura brasileira.

A pesquisa poderá auxiliar no entendimento de mecanismos de acúmulos e de estabilização de carbono em solos tropicais. Seus resultados são relevantes para o iminente estabelecimento do mercado global de créditos de carbono no solo, com pagamentos diretos aos produtores rurais pelo serviço ambiental. 

Uma projeção da WayCarbon, consultora com foco exclusivo em sustentabilidade e mudança do clima, junto com o ICC Brasil, braço local da Câmara Internacional de Comércio, aponta que o País pode gerar entre 493 milhões e 100 bilhões de dólares em crédito de carbono até 2030.

Aplicação inédita da técnica

Essa é a primeira vez que a técnica Espectroscopia de Fluorescência Induzida por Laser (LIFS – veja quadro) é empregada para detectar o grau de humificação da matéria orgânica do solo em sistemas integrados e com trincheiras de até um metro de profundidade. 

Tradicionalmente o grau de humificação da MOS é determinado por processos químicos demorados e custosos. Só em etapa posterior as substâncias húmicas extraídas do solo são analisadas por técnicas espectroscópicas. 

Vantagens do método

A vantagem da LIFS é não precisar fazer extrações químicas dos solos, somente preparar uma pastilha e medir. A técnica fotônica vem, assim, se destacando como uma ferramenta ambientalmente sustentável, porque permite avaliar a qualidade e estabilidade da matéria orgânica com maior facilidade e rapidez que os métodos convencionais. 

A pós-doutoranda em química, Amanda Maria Tadini, explica que a é feita uma pastilha do solo retirado para análise, usando uma prensa hidráulica. Depois de compactado, essa fração é analisada com o laser. “O resultado é capaz de sair em minutos. Em métodos tradicionais, poderia levar dias. Importante ressaltar que  o índice de humificação da matéria orgânica do solo na ILPF 36% maior do que sob florestas nativas. 

Matéria orgânica do solo

A matéria orgânica do solo é composta por resíduos vegetais e animais contendo carbono em sua estrutura. Na superfície ou incorporada ao solo, a MOS tem vários estágios de decomposição. O último e mais estável é o húmus, capaz de melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo, além de fornecer nutrientes e melhorar o seu potencial produtivo. 

Por todos os atributos, seja na ciclagem de nutrientes, na retenção de água ou no controle térmico, a MOS é considerada um indicativo importante da fertilidade do solo e desempenha papel fundamental na sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Assim, os diferentes manejos adotados na agricultura influenciam diretamente os estoques de carbono, que podem ser diminuídos, mantidos ou aumentados em relação à vegetação nativa.

Para Tadini, conhecer a composição química e molecular da MOS e o carbono presente em sua estrutura podem viabilizar o aprimoramento de técnicas agrícolas mais sustentáveis e de menor impacto nas propriedades do solo. 

Assista a matéria na íntegra:

https://www.youtube.com/embed/_c2B74KTnzc