Fazendas constroem reservatórios que armazenam água para irrigação

Ainda na década de 1980, o citricultor Paulo Okuma iniciou a construção de reservatórios para captação earmazenamento de água em sua propriedade, hoje com 400 hectares de citros em Fernandópolis (SP), Noroeste do cinturão citrícola. O aumento da área plantada e do adensamento motivaram a expansão do número de reservatórios ao longo dos anos: são […]

Fazendas constroem reservatórios que armazenam água para irrigação

Ainda na década de 1980, o citricultor Paulo Okuma iniciou a construção de reservatórios para captação e
armazenamento de água em sua propriedade, hoje com 400 hectares de citros em Fernandópolis (SP), Noroeste do cinturão citrícola. O aumento da área plantada e do adensamento motivaram a expansão do número de reservatórios ao longo dos anos: são 11, com capacidade total de 450 mil m³. A região é caracterizada pelas altas temperaturas e menor pluviosidade média em relação ao restante do parque, e a fazenda é cercada por um pequeno
córrego que, durante o período seco, fica com nível extremamente baixo, sem condições de oferecer a quantidade necessária para a irrigação dos pomares. “O que resolve mesmo é a chuva, mas em uma região onde ela é escassa, os reservatórios são a melhor alternativa. Utilizar somente poços artesianos não é suficiente aqui, às vezes a vazão é baixa e não atende à necessidade, além do custo, que é alto para o pequeno e médio produtor”, diz Okuma.
Os reservatórios são geralmente construídos em fazendas onde há baixa disponibilidade hídrica. Durante o período chuvoso, a água é captada de fontes próximas, como rios que estão com volume alto, e armazenada para o uso em momentos de escassez, seja para quebrar o estresse hídrico ou para a manutenção das plantas, deixando os cursos d’água livres para abastecer a população e sem prejudicar seus níveis.

Alternativa Sustentável

A prática ainda não é tão comum no estado de São Paulo, mas, de acordo com o professor titular da Unesp de Ilha
Solteira Fernando Braz Tangerino Hernandez, especialista em irrigação e drenagem, essa é uma tendência ustentável para todas as culturas diante da instabilidade das chuvas.
“Eu diria que essa não é uma solução, mas a solução. Se não for captada em um momento A irrigação no cinturão citrícola é feita majoritariamente por gotejamento, que direciona gotas junto à base das plantas, permitindo controle da quantidade de água aplicada, com economia significativa em relação a outras técnicas, e redução das perdas por evapotranspiração de abundância, essa água vai passar pela propriedade, seguir seu curso e chegar ao mar. A premissa é retardar a saída da água da bacia hidrográfica”, explica. “A água é um bem reciclável, mas finito”, pontua.

Esses reservatórios, também chamados de piscinões, são projetados em meio aos pomares, ocupando uma área até então produtiva, sem interferir no curso dos rios ou afetar áreas de preservação permanente. A escolha do ponto também considera a otimização da distribuição da água para o sistema de irrigação.
Outra forma de reservação é a partir de barragens construídas ao longo dos cursos d’água.
A implantação dos reservatórios exige estudo técnico feitopor empresa especializada e outorga de órgão competente. Para evitar assoreamento e perdas por infiltração, a impermeabilização
por geomembrana é outro ponto importante. O custo estimado é de R$ 5/m³ para a construção de
um reservatório e de R$ 2 a R$ 3/ m³ para a barragem. (Com informações da Fundecitrus).

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