Insegurança alimentar afeta 61,3 milhões de pessoas no Brasil

Dados da FAO mostram como a fome e a insegurança alimentar aumentaram depois da pandemia de Covid-19

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) acabou de lançar um relatório sobre a situação da fome e da insegurança alimentar no Brasil e no mundo. E os dados mostram que a pandemia de Covid-19 trouxe consequências preocupantes para a população global.

Em entrevista exclusiva ao Planeta Campo nesta quarta-feira, dia 6, Gustavo Chianca, representante da FAO no Brasil, falou que as informações do documento representam um aumento acentuado do problema do acesso à alimentação de qualidade.

“É um relatório muito grave, que mostrou uma subida enorme no mundo da insegurança alimentar, uma situação que não se via há muitos anos, há mais de 10, 15 anos, então é uma situação grave”.

Insegurança alimentar no Brasil

Apenas no Brasil, a insegurança insegurança alimentar grave afetou 15,4 milhões de pessoas (7,3%) entre 2019 e 2021, em comparação com 3,9 milhões de pessoas afetadas (1,9%) entre 2014 e 2016.

Insegurança alimentar moderada no Brasil

Dados sobre a insegurança alimentar moderada no Brasil

porém, quando incluímos a insegurança alimentar moderada nessa conta, o número de pessoas atingidas sobe para 61,3 milhões (28,9% da população) entre 2019 e 2021, em comparação com 37,5 milhões (18,3%) entre 2014 e 2016.

Insegurança alimentar grave no Brasil

Dados mostram a situação da insegurança alimentar grave no Brasil

Insegurança alimentar no mundo

  • A prevalência de subalimentação saltou de 8% para 9,3% de 2019 a 2020, e aumentou em um ritmo mais lento em 2021 para 9,8%.
  • Entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021. O número cresceu cerca de 150 milhões desde o início da pandemia de COVID-19 – mais 103 milhões de pessoas entre 2019 e 2020 e mais 46 milhões em 2021.
  • As projeções são de que cerca de 670 milhões de pessoas ainda enfrentarão fome em 2030 – 8% da população mundial–, o mesmo que em 2015, quando a Agenda 2030 foi lançada.
  • Cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo estavam com insegurança alimentar moderada ou grave em 2021 –29%– e 931 milhões da população global – 11,7%– enfrentava insegurança alimentar em níveis graves.
  • Quase 3,1 bilhões de pessoas não puderam pagar uma alimentação saudável em 2020. Isso representa 112 milhões a mais do que em 2019, refletindo a inflação nos preços dos alimentos ao consumidor decorrente dos impactos econômicos da pandemia de COVID-19 e das medidas adotadas para contê-la.

Insegurança alimentar na América Latina e no Caribe

  • Cerca de 56,5 milhões de pessoas foram atingidas pela fome na América Latina e no Caribe em 2021, totalizando 8,6% da população, aumento de 4 milhões em relação ao ano anterior.
  • Em apenas dois anos, 13 milhões de pessoas foram empurradas para a fome. E quatro em cada dez pessoas vivem com insegurança alimentar, enquanto ainda temos que nos preparar para os impactos da atual crise alimentar, incluindo a guerra na Ucrânia.
  • Em 2021, 40,6% da população – 268 milhões de pessoas – enfrentava insegurança alimentar moderada ou grave. Já a insegurança alimentar grave afetou 93,5 milhões de pessoas em 2021 –14,2% – um aumento de quase 10 milhões de pessoas a mais em um ano e quase 30 milhões a mais em comparação com 2019.
  • Em 2021, 31,9% das mulheres no mundo tinham insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 27,6% dos homens. A diferença crescente é mais evidente na América Latina e no Caribe, onde a diferença entre homens e mulheres foi de 11,3 pontos percentuais em 2021 em comparação com 9,4 pontos percentuais em 2020.

Principais causas da insegurança alimentar

Insegurança alimentar afeta 61,3 milhões de pessoas no Brasil

No mundo, entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021

O representante da FAO explicou que a pandemia faz parte do que eles chamam de 3C’s, que são os três principais fatores que causam insegurança alimentar: clima, conflitos e Covid-19.

Clima

“O clima, a mudança do clima em algumas regiões do mundo tem causado a insegurança alimentar e, principalmente, a migração do campo para a cidade devido à variabilidade do tempo, em que os agricultores não tem como prever a sua produção e tem muitas perdas”.

Conflitos

Os conflitos que começaram em 2014 em algumas regiões da África do Norte causaram muitas migrações e essa é uma das causas para a insegurança alimentar. “E depois, agora, a gente vê com o conflito da Ucrânia, que é um conflito maior com a Rússia, como esse problema tem afetado a agricultura”.

Covid-19

A pandemia de Covid-19 está listada entre as principais causadoras da insegurança alimentar por ter afetado diretamente a renda das famílias. “[A pandemia] fez com que as famílias, principalmente na nossa região da América Latina e no Brasil, em que nós não temos um impacto muito grande de conflitos e de mudanças climáticas, nesse momento nós temos um impacto grande na renda das famílias, o que causa aí um sério problema delas adquirirem alimentos de qualidade”.

Fome ou insegurança alimentar?

Fome

A fome é uma sensação física desconfortável ou dolorosa causada pelo consumo insuficiente de energia alimentar.

Insegurança Alimentar Moderada

Refere-se ao nível de gravidade da insegurança alimentar, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES), em que as pessoas enfrentam incertezas sobre sua capacidade de obter alimentos e são forçadas a reduzir, em alguns momentos do ano, a qualidade e/ou quantidade dos
alimentos que consomem por falta de dinheiro ou outros recursos. Refere-se, portanto, à falta de acesso consistente aos alimentos.

Insegurança Alimentar Grave

O nível de gravidade da insegurança alimentar em que as pessoas provavelmente ficaram sem comida, passaram fome e, no mais extremo, ficaram dias sem comer, colocando sua saúde e bem-estar em grave risco, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES).

 

*Com informações da FAO