Mercado de carbono: agronegócio ganha espaço nas negociações a longo prazo

O Brasil pode gerar cerca de US$ 100 bilhões em receitas no mercado de carbono até 2030, segundo projeção da WayCarbon, encomendada pela CCI

O Brasil pode gerar cerca de US$ 100 bilhões em receitas de crédito no mercado de carbono até 2030, segundo projeção da WayCarbon, encomendada pela Câmara de Comércio Internacional.

É uma oportunidade que o país tem para se firmar no mercado de carbono como um grande player, na avaliação de especialistas.

Laura Albuquerque, gerente de consultoria da WayCarbon e responsável pela pesquisa, conversou com o Planeta Campo para explicar esse potencial que começa a ser explorado pelo agronegócio brasileiro e como o mercado de carbono é tão importante para o Brasil.

O mercado de carbono voluntário

Mercado de carbono

A gerente de consultoria conta que existem duas esferas no mercado de carbono.

Um deles é o mercado voluntário, em que o Brasil está bem posicionado.

“O Brasil no mercado de carbono voluntário é um dos dez países que mais tem projetos de crédito de carbono. Em uma estimativa, algo em torno de 750 milhões de toneladas. Isso significa que o país pode suprir até 40% da demanda global no mercado voluntário”, disse.

O mercado de carbono regulado

mercado de carbono

Já no mercado regulado, onde existe a necessidade de haver um conjunto de regulamentos e leis para que ele funcione (os chamados marcos regulatórios), o país precisa melhorar, segundo Laura.

“Temos alguns marcos, como o recente decreto que estabeleceu os planos setoriais de mitigação [o Plano ABC] e o RenovaBio, que é voltado ao setor de combustíveis sustentáveis, como etanol e as opções de biocombustíveis. Então, sempre que a gente olha para o mercado de carbono a gente vê essa diferença de potencial. Quando olhamos o Brasil como exportador de créditos de carbono, a gente vê que podemos fazer acordos bilaterais com outros países”, detalha.

Potenciais para o agronegócio

soja no cerrado

Laura explica que foram traçados dois cenários para o Brasil no mercado de carbono, e o mais otimista deles é o que prevê os US$ 100 bilhões. O outro, que também representa um avanço, prevê receitas de US$ 470 milhões.

No agronegócio, as principais oportunidades que existem, na avaliação do mercado de carbono, estão ligados às estratégias de Integração Lavoura Pecuária (ILP) e Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), Sistema Plantio Direto e intensificação da pecuária de corte e adubação extensivas do campo, como alguns exemplos que podem ser aplicados.

Emissão de créditos no mercado de carbono

ILPF

Para que os créditos de carbono sejam gerados não é preciso apenas e tão somente o sequestro de carbono.

Para Laura, a questão dos créditos de carbono também passa pela conexão entre a agropecuária com a floresta e o setor de energia.

“Estudamos alguns casos que trabalharam com lavoura regenerativa e lavouras de compensação, que conectam essa agenda toda do agro com a de florestas e energia. Uma questão que ajuda, e as empresas focaram muito, foi a possibilidade de olhar para esses setores e obter co-benefícios socioambientais”, argumenta.

E isso passa pela redução do desmatamento, melhoria das condições de trabalho para produtores, que geram oportunidades para toda a cadeia, especialmente para os pequenos produtores.

“O estudo mostra que os pequenos produtores podem ser beneficiados de várias maneiras nesse processo, especialmente na geração de ganhos financeiros, mas principalmente na melhoria da produção como um todo”, complementa, fazendo mais uma vez a conexão com o Sistema de Plantio Direto.

O estudo

O estudo feito pela WayCarbon mostra que três setores tem grandes oportunidades para o mercado de carbono, e o agronegócio é um deles. Os outros dois são energia sustentável e transportes.

“Esses são três setores que tem potencial para ofertar créditos de carbono para suprir uma demanda internacional em termos de volume de crédito a ser demandado pelos países e outras empresas por causa dos compromissos que estão sendo firmados”, disse.