Plano ABC+: nova fase quer reduzir emissão de carbono em 1,1 bi de toneladas

Na primeira fase, metas foram superadas. Agora, para os próximos 10 anos, Plano ABC+ quer chegar a mais 72 milhões de hectares

O Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, ou Plano ABC+, criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), prevê práticas para recuperação de pastagens degradadas, sistema de plantio direto de grãos e hortaliças e outras medidas sustentáveis que podem ser aplicadas na atividade agropecuária.

Este é um alerta que começou a ser avaliado há 10 anos, quando foi criado o plano ABC.

O Planeta Campo conversou com o coordenador de sistemas agropecuários sustentáveis do Mapa, Elvison Santos.

O que é o plano?

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A primeira fase, chamada ABC, começou a planejar as ações que foram realizadas para adoção de tecnologias sustentáveis, com ganhos produtivos importantes e a baixa emissão de carbono, entre os anos de 2010 e 2020.

Algumas das práticas adotadas são:

  • Recuperação de pastagens degradadas
  • Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
  • Sistema de Plantio Direto
  • Fixação biológica de nitrogênio
  • Plantação de florestas
  • Tratamento de dejetos animais

Principais resultados até agora

Na primeira fase do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, a meta era atingir 35,5 milhões de hectares com tecnologias sustentáveis de produção preconizadas.

Mas, segundo Santos, o Plano ABC acabou por chegar a 54 milhões de hectares.

“A gente tinha o objetivo de chegar ao tamanho de uma Alemanha, e acabamos por fechar com uma Alemanha e meia em termos de expansão de área com a adoção dessas tecnologias”, disse.

Metas também atingidas na mitigação da emissão de carbono no ar.

A previsão era reduzir em 133 milhões de toneladas a emissão do dióxido de carbono, e a primeira fase do plano foi fechada com redução de 193 milhões de toneladas.

O Plano ABC+ para os próximos 10 anos

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O coordenador de sistemas agropecuários do Mapa estima que outros 72,68 milhões de hectares sejam incluídas nos processos previstos pelo plano, e que a redução na emissão de CO2 chegue a 1,1 bilhão de toneladas.

“Nós reforçamos ainda mais as estratégias que foram estabelecidas no Plano ABC para fortalecer ainda mais as medidas. Também demos uma nova roupagem ao plano, que não trata só da mitigação, mas também de adaptação, e o uso de mais tecnologias para permitir alcançar esses números”, conta.

Outra mudança importante nesta segunda fase do projeto é a criação de gestões estaduais, como se fossem Planos ABCs em cada Estado e municípios.

Novas visitas vão ser feitas para alinhamento para com as medidas nacionais.

Plano ABC+ também para pequenos produtores

O agricultor familiar e aquele que tem um médio negócio tem acesso a linhas de crédito oferecidas pelo Plano ABC+ para atender as demandas.

“Neste último Plano Safra tivemos R$ 94 bilhões para investimentos em todos os projetos. Especificamente para o Plano ABC foram R$ 6,1 bilhões”, detalha.

Elvison Santos também comentou sobre a suspensão de novos financiamentos por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Ele considera um bom sinal, porque significa que os pedidos feitos até o momento atingem o que foi disponibilizado pelo Governo Federal ao banco.

“A suspensão é normal. Agora, o BNDES vai analisar os pedidos para ver se libera ou não o dinheiro. Se algum financiamento não for liberado, vai ser disponibilizado novamente, e assim vai. Já Banco do Brasil, Sicredi e a Caixa Econômica Federal ainda estão oferecendo as linhas de crédito normalmente”, salienta.