Preservação de nascentes em propriedades rurais é foco de projeto em MS

Iniciativa para preservação de nascentes está restaurando 2.400 hectares da Microbacia do Córrego de Pontinha, em parceria com 107 produtores da região

Um plano de restauração ambiental e preservação de nascentes está beneficiando produtores da região do Córrego Pontinha, nas proximidades do município de Coxim, em Mato Grosso do Sul.

E uma das técnicas mais eficientes desenvolvidas na região é a construção de curvas de nível. A técnica tem a capacidade de evitar a erosão e garante um solo produtivo para as atividades agropecuárias.

Preservação de nascentes é foco de projeto ambiental em MS

Curvas de nível são importantes para evitar erosão e evitar a contaminação das nascentes

Inclusive, foi a experiência de um tradicional pecuarista da região com a técnica que deu origem ao projeto. O produtor Ildefonso José Almstaldn, atua com a produção de proteína animal há 40 anos na cidade de Coxim e adotou as curvas de nível em sua propriedade há 12.

“Quando não tem curva [de nível] desce areia, desce cascalho, desce tudo e tampa as nascentes, prejudica as nascentes. (…) Geralmente se faz curvas em lugar de agricultura, mas aqui é só pecuária e eu fiz, comprei trator e comecei a fazer as curvas”, conta o produtor.

A iniciativa devolveu água para um local onde o recurso já havia secado na fazenda de Ildefonso. E esta ação inspirou o projeto de restauração ambiental da Microbacia do Córrego Pontinha, coordenado por entidades públicas e privadas para recuperar áreas da região.

Restauração da Microbacia do Córrego Pontinha

preservação de nascentes em propriedades rurais

Mountain water spring out of wooden gutter from rocky creek

O projeto piloto de restauração da Microbacia do Córrego Pontinha começou há aproximadamente um ano e já tem 107 produtores envolvidos em uma área de 2.400 hectares.

“Os critérios que nos levaram, que levou todo o projeto a selecionar essa microbacia do Córrego Pontinha, aqui em Coxim, foi justamente o mais grave, que foi o déficit hídrico. Nós tínhamos uma escassez hídrica nessa região muito crítica e isso foi um dos fatores que levaram a gente a selecionar essa microbacia”, conta Oscar Serrou Camy, gestor de desenvolvimento rural na Agraer.

Os planos são expandir o projeto para recuperar toda a bacia do Rio Taquari, da qual o Córrego Pontinha faz parte. “A bacia do Rio Taquari tem cerca de 2,8 milhões de hectares, então é bastante grande, com o solo muito frágil e muito fácil de se erodir. Então a gente vem trabalhando com várias layers dentro de um projeto de recuperação do Rio Taquari através de ações junto aos produtores e junto ao estado”, explica Rodney Guadagnin Santos, gerente operacional do Instituto Taquari Vivo.

Conscientização

O gestor Oscar Camy explica que os pecuaristas e agricultores já estão conscientes da importância da preservação ambiental para o planeta e também para o desenvolvimento da atividade agrícola.

“O produtor atualmente já tem uma consciência do que tem em mãos e de que ele tem que preservar os recursos se não a atividade vai estar comprometida. Então o recurso solo é o recurso mais importante e ele tem essa consciência de que se ele não conservar e não preservar, a própria sustentabilidade dele na atividade vai estar comprometida”.

E esse comprometimento dos produtores rurais precisam ser reconhecidos pelas pessoas. “É importante que a gente tenha esse reconhecimento da sociedade, vendo o produtor como um produtor de recursos naturais que abastece a cidade”, finaliza Camy.