Projeto melhora renda de agricultores familiares

No interior do Paraná, projeto B.E.N está modificando a vida de pequenos produtores com a produção de um dos alimentos mais completos da dieta humana

Um projeto voltado para agricultores familiares na região da Rebouças, interior do Paraná, está modificando o cenário rural na região. É o Projeto Bem Viver e Nutrição, ou apenas B.E.N.

Uma multinacional de origem holandesa no município está colocando em prática o projeto. A cidade tem 15 mil habitantes com aproximadamente 50% de agricultores familiares. A iniciativa tem como objetivo gerar renda para famílias carentes e acabar com a desnutrição.

“O projeto B.E.N nasceu com a ideia de ajudar a agricultura familiar incrementar sua renda, a partir da diversificação da renda da produção de ovos caipiras e também no combate à desnutrição em áreas de vulnerabilidade”, diz Luiz Flávio Leite Júnior, diretor do programa.

Baseado em um programa realizado desde 2016 na África, a iniciativa já tem mais de 20 granjas parceiras, com produção de 25 mil ovos ao dia.

Na América Latina, as parcerias acontecem no Brasil e no Peru. O objetivo é impactar 2 milhões de pessoas com nível de desnutrição acima de 30% e mulheres com nível de anemia acima de 50%.

A escolha da comunidade rural

Comunidades mais vulneráveis foram a prioridade na escolha do local onde o projeto iria acontecer.

Alguns critérios fizeram a diferença na hora de escolher o local para implementação do programa, critérios classificatórios.

O Paraná, por exemplo, tem bolsões de pobreza na região de Rebouças, a economia se baseia principalmente no cultivo do tabaco e no fumo que é uma economia nacional.

Sendo assim, a escolha do estado fazia sentido com o propósito da iniciativa.

Crédito e suporte técnico

Luiz, diretor do programa, comenta que além das famílias receberem crédito, também recebem treinamento, suporte técnico e ajuda para o desenvolvimento de um canal de vendas para comercialização dos ovos.

“Através de uma parceria com produtor avícola, entregamos as galinhas para serem criadas e a financeira faz este pequeno financiamento para o dono no ciclo produtivo de 15 meses, fornecendo ração de qualidade, serviço técnico, veterinário e capacitação para essas famílias criarem”, diz ele.

Possibilidade de aumentar a renda

A possibilidade de aumentar a renda com a produção desse pequeno produto de origem animal despertou interesse no agricultor familiar Marcelo Pianaro por conta da diversificação na sua propriedade.

“Porque nós trabalhávamos com fumo e também com plantio de soja, foi um interesse em buscar uma alternativa diferente na propriedade”, relata.

A alternativa trouxe também tempo livre para o agricultor, inclusive para se dedicar a outras culturas como a erva-mate, produção tradicional no estado do Paraná.

A propriedade do Marcelo tem 46 hectares, a granja ocupa um espaço pequeno, conta com 1.200 aves e produção de 1.130 ovos por dia.

“Olha, na verdade a questão do trabalho diminuiu bastante, o fumo era diário aqui na granja, trabalhávamos em torno de três horas por dia. Nessa parte melhorou bastante, temos mais tempo para fazer outras coisas na propriedade, como por exemplo, tempo para os filhos e a minha esposa”, concluiu Pianaro.

Realmente, tudo é aproveitado, do ovo ao esterco, o Marcelo não está sozinho no projeto, ele faz parte de uma cooperativa da agricultura familiar parceira da iniciativa.

Um dos alimentos mais consumidos

Projeto melhora renda de agricultores familiares

“O ovo é uma proteína barata, a gente sabe a necessidade que tem na segurança alimentar, hoje o Brasil voltou ao mapa da fome, o ovo é um dos melhores alimentos que tem hoje disponível de uma forma barata, então, conseguimos colocar esse produto em locais com o custo mais baixo”, complementa Vanderson de Andrade, presidente da cooperativa Comdafar.

O ovo, além de ser um alimento rico em termos nutricionais, apresentou um aumento no consumo, e é justamente sobre a produção dele que a iniciativa está apoiada.

São ações que impactam a vida dos produtores rurais e também a nutrição das comunidades onde eles estão inseridas, eles são fortificados com uma ração diferenciada e de alta tecnologia, além de estarem presentes na merenda escolar.

Rita de Andrade Caterenciuc de Ramos, diretora da Escola Municipal Erasmo Pilotto, afirma como uma boa alimentação tem reflexos na vida do aluno.

“A merenda escolar é importante, porque uma criança bem alimentada aprende melhor”.

Como gerou a iniciativa?

A iniciativa aconteceu no momento que há um aumento no consumo de ovos no país.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2020, o Brasil teve um consumo de 251 unidades por habitante, em 2021, subiu para 257 unidades por pessoa, para atender esta demanda foram produzidas pelo menos 54 bilhões de unidades.

Notícia positiva para o projeto que está mudando o cenário rural do município, que conta com pelo menos 7 mil agricultores familiares.

“A principal mudança da renda é a família trabalhando nesse projeto, ele é basicamente cuidado pelas esposas, mulheres agricultoras, que geralmente cuidam da casa juntamente com o trabalho da Granja, colhendo os ovos, por volta de quatro a cinco horas por dia. Estamos vendo graças a Deus uma diminuição da saída do Meio Rural, então o papel da Prefeitura Municipal é dar oportunidade para que essas famílias permaneçam no campo, gerando renda”, finaliza Laércio Antônio Cripriano, secretário de agricultura e serviços gerais.

Insegurança alimentar no Brasil

No Brasil, em 2022, o segundo inquérito nacional sobre insegurança alimentar no contexto da pandemia de Covid-19 apontou que mais de 33 milhões de pessoas não têm garantido o que comer, representando 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome.

O estudo também mostrou que mais da metade (58,7%) da população brasileira convive com algum grau de insegurança alimentar.

Já o relatório divulgado este ano pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que o número de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo subiu para 828 milhões em 2021, uma alta de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o início da pandemia da Covid-19.