Protestos de agricultores na Europa podem ter reflexos no Brasil

As sucessivas manifestações em vários países podem aumentar inflação e afetar o Brasil. Protestos de agricultores na Europa acontecem por leis ambientais

Os protestos de agricultores na Europa podem ter reflexos importantes para o Brasil, apontam especialistas ouvidos pelo Planeta Campo.

O bloco europeu vive uma ebulição de manifestações depois da aprovação de várias leis ambientais.

Com início na Holanda, vários países já registram protestos contra medidas tomadas em conjunto pela União Europeia.

Quais os motivos dos protestos de agricultores na Europa?

Protestos de agricultores na Europa

Silvia Fagnani, sócia da Think Brasil Diplomacia Corporativa, explica que o movimento começou na Holanda, com as reclamações de vários agricultores sobre uma política ambiental que vale para toda a União Europeia para redução da emissão de dióxido de nitrogênio.

O plano vale desde 1991, mas o que levantou a ira dos produtores foi que o país teria que reduzir em 50% as emissões do gás, o que significaria redução no uso de fertilizantes que usam nitrogênio, e uma consequente queda na produtividade da pecuária.

“Outro problema é que a Holanda tem um plano de transformar 25% da agricultura do país em agricultura orgânica, e isso deve gerar um alto custo para os produtores de lá”, explica.

A avaliação desses cenários termina em um possível fechamento de até 30% das atividades rurais do país.

Quais os impactos para o mundo?

Silvia acredita que os protestos de agricultores na Europa podem trazer três impactos imediatos ao restante do mundo:

  1. O Brasil traz a Europa como um espelho regulatório em questões ambientais e de saúde
  2. A importação de produtos por países europeus pode ser comprometida, se o mesmo rigor adotado localmente for ampliado.
  3. A inflação dos países europeus está aumentando, e isso gera uma reação em cadeia

“Há um risco de o Brasil trazer essas normativas que não olharam os aspectos técnicos para cá, e isso também quebrar agricultores por aqui. A Europa já tem alguns padrões secundários, aplicados na iniciativa privada, que chegam perto das regras aplicadas por lá”, exemplifica a sócia da consultoria corporativa.

A Holanda é a maior produtora de cebola e batata do mundo, e, na avaliação de Silvia Fagnani, com o aumento do custo de produção, é inevitável o impacto inflacionário para os países que importam os produtos de lá — como o Brasil.

Quais são as regras para importação de produtos brasileiros?

Não por acaso, União Européia e Reino Unido impõe barreiras reputacionais para a importação de produtos, tanto do Brasil quanto de outros países.

São medidas que vão desde o uso consciente de recursos naturais até a produção em áreas que não sejam de desmatamento.

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias Filho, afirma que essas medidas já são adotadas no país e que o Código Florestal é rigorosamente cumprido.

Há fim para os protestos de agricultores na Europa?

Na opinião de Silvia Fagnani, a tecnologia pode ser uma aliada para as intenções européias, mas, antes de tudo, seria necessária uma revisão das metas.

“Esses objetivos foram colocados por ambientalistas sem observar nenhum aspecto técnico na produção. É possível substituir de alguma forma os fertilizantes nitrogenados por bioinsumos. Outra possibilidade é utilizar, na pecuária, enzimas que auxiliem na redução de amônia, como acontece aqui no Brasil”, aponta.