Rastreabilidade do algodão deve chegar a 90% nos próximos dois anos

Levantamento da Embrapa também mostra que é possível reduzir a emissão de carbono na produção

Durante o 13º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), na Bahia, o conceito de moda sustentável foi lembrado durante as discussões sobre como a produção do algodão pode adotar ainda mais boas práticas.

Na avaliação da Embrapa, a rastreabilidade do algodão deve chegar a 90% aqui no Brasil nos próximos dois anos.

Pesquisa da Embrapa

Uma pesquisa realizada pela Embrapa Algodão mostra que é possível reduzir a emissão de carbono na produção.

Alderi Araújo, pesquisador e chefe-geral da Embrapa Algodão, afirma que a expectativa é que essa realidade seja colocada em prática logo.

“Há um clamor hoje pela redução da emissão de carbono no nosso país. Então, essa pesquisa vem para atender isso. Espero que seja colocada em prática rapidamente”, disse.

Programa Algodão Brasileiro Responsável

rastreabilidade do algodão

No congresso foi apresentado os detalhes e alguns resultados do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), selo que vem contribuindo para que a fibra brasileira seja uma das mais comercializadas no mundo.

A ideia do selo é promover a evolução progressiva das boas práticas sociais, ambientais e econômicas e melhorar a a gestão sustentável das unidades produtivas.

“Foi um passo enorme para a cotonicultura. Tenho certeza que vamos colher bons frutos no futuro, e quem sabe, em vez de conquistar mercado baixando preço, a gente pode conquistar o mercado pela certificação”, afirma Júlio Busato, presidente da ABRAPA.

Warley Palota, líder de sementes de algodão da Basf, comemora a criação do selo.

“A gente pode aprender nesse processo, e muitas coisas que discutimos nos direcionou para pesquisas internas, que hoje é realidade”, aponta.

Rastreabilidade do algodão na prática

Uma calça jeans mostrada no evento tem 98% da composição de algodão, e tem o certificado ABR.

Nela, há um QR Code, que mostra de onde o algodão surgiu, elevando o conceito da rastreabilidade do algodão.

Eduardo Ferlauto, gerente-geral de sustentabilidade das Lojas Renner, explica que a ideia é um avanço importante para que as boas práticas sejam mantidas em todos os elos da cadeia.

“A gente entende que nesta construção todos nós precisamos ter alianças com a cadeia de fornecimento, para ter sustentação de conhecimento e iniciativas, conectadas cada vez mais com a cadeia de valor”, disse.