Técnica aumenta produtividade e fixação de carbono da soja

Experimento realizado nos EUA mostrou que a modificação de um genoma que leva à eficiência da fotossíntese, aumentou a produtividade do grão.

Aumentar a produtividade sem grandes impactos ambientais é sem dúvida um dos maiores desafios dos produtores rurais nos tempos atuais.

Um estudo na Universidade de Illinois, nos EUA, realizado por uma brasileira, a pesquisadora Amanda Pereira, mostrou que uma mudança no genoma do tabaco que otimiza o tempo de retorno da planta à fotossintese, em condições de luz e sombra, levando à maior produtividade da cultura.

Em entrevista ao Planeta Campo, o pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni, detalhou o conceito da pesquisa que foi aplicada à soja.

A pesquisa

soja

Para explicar o mecanismo do conceito da pesquisa, Gazzoni fez uma analogia simples com os seres humanos.

“Quando vamos para um sol intenso, nós suamos. Depois o suor evapora e assim resfriamos o corpo. O mesmo acontece com as plantas, quando há uma incidência muito forte de sol, além de aproveitar a radiação para fazer a fotossíntese, as plantas também precisam dissipar calor, senão acontecem reações internas que podem prejudicar a planta.”

O pesquisador continuou a explicação: “então, numa situação de sol bem aberto, de repente passa uma nuvem na frente do sol e cria aquela sombra,  a planta precisa se adaptar. Quando isso acontece, as reações químicas mudam, muda uma série de mecanismos, muda esse “suor” das plantas. Tal mecanismo é lento [para mudar] e durante esse período que a planta tá  se adaptando a esse sombreamento, diminui a eficiência da fotossíntese. Então o que a dra. Amanda fez foi modificar um genoma do tabaco para que esse mecanismo de transição acontecesse mais rápido, para que a fotossíntese voltasse ao seu potencial máximo de forma mais rápida na transição”, explanou.

Ainda segundo o pesquisador, com o experimento foi possível um aumento de 14-20% na produção de biomassa do tabaco.

O mesmo conceito da pesquisa do tabaco foi aplicado à soja. A genética de cultivares de soja americana foram modificadas e testadas durante dois anos a campo.

“Com isso conseguiram um aumento médio de 24% na produtividade da soja, sendo que algumas variedades chegaram a 33% no rendimento só por conta da aceleração no mecanismo”, frisou.

Conclusão

Para o pesquisador, a grande conclusão do experimento é que com a otimização da fotossíntese, há maior assimilaçao de carbono e  maior produção de reservas.

“Com o enchimento dos grãos, teremos grãos mais pesados, maior número de grãos por vagem e consequentemente  maior produtividade em função da maior assimilação de carbono. Importante destacar que os teores de óleo e proteína da soja não foram afetados com o experimento”, finalizou.